Ação e Reação

O que aconteceu, o que eu pensei, o que eu senti, o que eu fiz

A vida é uma sequência constante de eventos que nos desafiam, testam nossa paciência, nos surpreendem ou até nos decepcionam.

Em cada momento, nos deparamos com uma cadeia de reações internas e externas que, muitas vezes, nos deixam com a sensação de estar à mercê do que acontece ao nosso redor.

No entanto, se pudermos observar e refletir sobre como o processo interno se desdobra, podemos encontrar clareza e sabedoria para agir de forma mais consciente.

Uma poderosa ferramenta para isso é a sequência: o que aconteceu, o que eu pensei, o que eu senti, o que eu fiz.

Esta sequência nos permite entender melhor como nossos pensamentos, sentimentos e ações estão interligados e como podemos modificar nossa resposta aos eventos, criando uma experiência mais equilibrada e assertiva.

Experimente escrever o fato. Assim, você pode visualizar o evento “do lado de fora”.

1. O que aconteceu: Os fatos objetivos

Tudo começa com o que é objetivo e externo. O que aconteceu são os eventos reais, as situações que surgem sem a nossa interferência direta.

Esse momento inicial está além do controle, como uma pedra que cai no lago da nossa vida, criando ondas que se propagam à medida que o tempo passa.

Pode ser uma conversa difícil, um erro no trabalho, uma surpresa boa ou um problema inesperado.

Como o filósofo francês René Descartes dizia, “O bom senso é a coisa que, no mundo, está mais bem distribuída”, mas a verdade é que os eventos em si, em sua essência, são neutros — não são bons, nem ruins, até que nossa mente lhes atribua um significado.

Por exemplo: imagine que você recebeu um feedback negativo no trabalho. O evento é o
feedback em si — algo objetivo, que não muda por conta de nossa opinião.

2. O que eu pensei: A percepção e a interpretação

O próximo passo dessa cadeia está no campo da mente: o que pensamos sobre o que aconteceu.

Aqui, o filósofo Immanuel Kant nos lembra que “Vemos as coisas não como elas são, mas como somos”.

Nossos pensamentos são moldados por nossas crenças, experiências anteriores e até nossos medos.

A forma como interpretamos os eventos é profundamente subjetiva e não está relacionada apenas com o aqui e agora.

Misturamos com memórias e dores do passado.

Ao receber o feedback negativo, você pode pensar: “Eu falhei. Não sou bom o suficiente”. Este pensamento pode gerar uma reação negativa, pois você está interpretando o evento como uma ameaça à sua competência.

No entanto, outra pessoa pode interpretar o mesmo feedback como uma oportunidade de crescimento: “Esse feedback me ajuda a melhorar. Agora sei o que posso aprimorar.”

Os pensamentos são as lentes através das quais vemos o mundo, e como Albert Einstein afirmou: “A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original.”

Nossas crenças limitantes ou expansivas formam a base de nossa interpretação dos fatos. Isso torna os pensamentos poderosos, pois determinam como interpretamos a realidade.

3. O que eu senti: As emoções que surgem

As emoções são as reações espontâneas e muitas vezes intensas que surgem com base nos pensamentos que geramos. Como disse Carl Jung: “Ninguém se torna iluminado por imaginar figuras de luz, mas sim por tornar consciente a escuridão.”

As emoções não podem ser evitadas; elas são uma parte essencial da experiência humana e muitas vezes surgem sem
aviso.

No entanto, elas podem ser intensificadas ou suavizadas dependendo do significado que
atribuirmos ao evento.

Se o feedback negativo for interpretado como uma falha, uma catástrofe, e você concluir que é incompetente e sem saída, a sensação que surge pode ser de frustração, raiva, tristeza ou vergonha.

Essa interpretação o paralisa e afunda.

Por outro lado, se você interpretar o feedback como uma oportunidade para melhorar, o sentimento pode ser de motivação, aprendizado e até alívio por saber o que precisa ser ajustado.

Aqui, a psicologia nos ensina que nossas emoções têm um impacto profundo no nosso corpo e comportamento.

Emocionar-se é humano, mas saber lidar com essas emoções de forma
construtiva é um sinal de inteligência emocional.

Todos somos aprendizes sobre nós mesmos. Somos um mistério a ser desvendado, um tesouro a conquistar, a maior de nossas vitórias.

Como disse Buda, “Aquele que vence a si mesmo é, sem dúvida, o mais nobre dos vencedores.”

4. O que eu fiz: As ações como reflexo da mente e emoções

A última parte da sequência é a ação, o que fazemos diante de tudo isso.

Como Victor Frankl, psiquiatra e sobrevivente do Holocausto, nos ensina em seu livro “Em Busca de Sentido”: “Entre o estímulo e a resposta, há um espaço. Nesse espaço está nosso poder de escolher nossa resposta. Na nossa resposta reside o nosso crescimento e a nossa liberdade.”

Nossas ações são frequentemente impulsionadas pelos nossos pensamentos e sentimentos. Se o feedback negativo foi interpretado de maneira destrutiva, nossas ações podem ser reativas — como desistir, se afastar, paralisar, ou até piorar a situação. Porém, se conseguimos agir com consciência e pés no chão, aqui e agora, nossas respostas podem ser mais construtivas — como buscar melhorias, pedir ajuda ou ajustar nosso comportamento.

Por exemplo, após o feedback, uma pessoa pode se sentir desmotivada e, consequentemente, tomar uma atitude defensiva ou até apática. Mas, é possível agir com uma visão mais assertiva, agir de maneira proativa, buscando se aprimorar com base nas críticas recebidas. Inclusive, analisar as críticas, dialogar para ampliar a compreensão e defender-se, se for o caso.

Conclusão: A dinâmica entre o interior e o exterior

Essa sequência — o que aconteceu, o que eu pensei, o que eu senti, o que eu fiz — é uma poderosa ferramenta para compreender como nossos pensamentos, emoções e ações estão interligados e como cada um deles pode transformar nossa experiência de vida.

A partir do momento em que tomamos consciência de como esses processos funcionam, podemos aprender mais sobre nós mesmos e nossas reações, seja na vida profissional ou pessoal.

Tal como um rio que se adapta às pedras do seu leito, nossa resposta aos eventos pode ser moldada por nossa capacidade de refletir e escolher conscientemente.

Quando mudamos a forma como pensamos, a maneira como nos sentimos e as atitudes que tomamos, transformamos não só o nosso mundo interior, mas também o mundo exterior ao nosso redor.

Como Mahatma Gandhi sabiamente disse: “Seja a mudança que você deseja ver no mundo”.

Ao reconhecer e refletir sobre essa sequência, temos a chance de tomar as rédeas da nossa própria ação no mundo.

Grande abraço!

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