22/04/2019 Ivete Costa 0Comment

As empresas familiares são a espinha dorsal das economias em todo o mundo, constituindo uma fonte crucial de riqueza e emprego nos países desenvolvidos e em desenvolvimento.

Apesar de sua importância para a economia, muitos estudos de todo o mundo mostram que poucas empresas familiares sobrevivem além da terceira geração.

Embora a sucessão seja um desafio para todas as empresas, esse problema muitas vezes se torna ainda mais complicado quando as relações familiares também devem ser consideradas. Essa sobreposição entre dois sistemas que englobam o negócio e a família, cria muitos obstáculos para a gestão, o crescimento e a sustentabilidade das empresas e colocando em risco sua sobrevivência.

Segundo estudos realizados no Brasil, raramente as empresas familiares adotam práticas de governança e, mesmo que o façam, as emoções e as relações familiares podem influenciar a tomada de decisões estratégicas e, especialmente, a sucessão.

A sucessão é um processo complexo que demanda tempo e cuidado. As empresas familiares, portanto, precisam considerar a sucessão como um processo estendido e complexo com os papéis e responsabilidades do antecessor e do sucessor acontecendo antes, durante e depois da sucessão.

Entregar um negócio para a próxima geração é um verdadeiro desafio para as empresas familiares. No entanto, uma transferência gradual e constante da administração e propriedade para a próxima geração mantém um negócio vivo.

Cada empresa e família possuem suas particularidades e desafios. Listamos alguns dos fatores que podem levar uma empresa familiar ao colapso:

  • Conflito entre membros da mesma família e/ou familiares dos sócios.
  • Falta de interesse das gerações seguintes de atuar no negócio e dar continuidade aos planos do fundador.
  • Resistência da geração anterior em atualizar-se com as novas perspectivas de mercado e aceitar mudanças, desmotivando os herdeiros em permanecerem na empresa.
  • Decisões equivocadas e precipitadas ao diversificar ou expandir o negócio.
  • Falta de inclusão e preparação dos colaboradores e clientes para a transição da gestão.
  • Famílias que superprotegem seus membros, estabelecendo diferenciação no tratamento e conduta perante as normas e procedimentos em relação aos demais colaboradores, gerando conflitos e podendo abrir espaço para corrupção e atitudes não éticas.
  • A velocidade nos avanços tecnológicos, reduzindo o ciclo de vida dos produtos e serviços, principalmente quando há lentidão ou recusa por parte da empresa para a modernização.
  • Atualmente, as estruturas e as relações familiares apresentam maior complexidade.
  • Fatores externos como as mudanças globais e o processo volátil e incerto da economia aliados à inexperiência da gestão atual.

“Dirigir a empresa familiar é um fato muito dinâmico e cada geração deve reconquistar o seu lugar com estilo próprio. É preciso ter vocação, coragem, talento e capacidade de luta. Muitos herdeiros têm uma boa formação acadêmica e acumulam estágios em empresas de elite sem, contudo, apresentarem a vocação e a vontade de lutar pela gestão da propriedade.” João Bosco Lodi

Cada membro da família que entra ou sai da organização desloca a empresa para uma nova dimensão, uma nova forma, um novo cenário que impacta em todos os envolvidos. Que esse movimento seja planejado, participativo, assertivo e comunicado de forma eficiente.

Se as decisões do negócio são baseadas para evitar discórdia familiar, com base em um consenso, sem levar adiante o planejamento estratégico, porque eles podem perturbar a unidade familiar, sua empresa pode ser um palco de problemas e estar na contramão do desenvolvimento e pode “falecer” a qualquer momento. Essa complicada tarefa de reunir esforços para preservar a harmonia familiar em detrimento das importantes decisões empresariais, serve para minar as boas relações com o tempo, permitindo que um desequilíbrio de poder. Uma estratégia míope de preservar a paz e pode resultar em maior conflito e desarmonia ao longo do tempo. O consenso é, na maioria dos casos, apenas uma estratégia de conflito adiado, ao invés de lidar com o conflito de forma aberta e construtivamente. Resolver o conflito. O maior perigo na tomada de decisões do negócio da família é permitir que o conflito fique demasiadamente longo.

Nenhuma metodologia única se encaixa a todas as empresas, mas há um conjunto de práticas, ferramentas e técnicas que podem ser adaptadas para construção de uma sucessão de sucesso. Mas, alguns pontos são relevantes no processo e manutenção dessa construção.

Ivete Costa

Coautora do livro FETRANSPAR – Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná, em comemoração aos 25 anos!

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