Quando o amor chegar

As nossas histórias, perrengues e experiências são incríveis mestres e podem nos ensinar a redirecionar atitudes e escolhas no relacionamento amoroso.

Enquanto o amor não vem, ou, para ajustar a rota de um relacionamento, é sempre bom rever e reorganizar as nossas atitudes em relação a nós mesmos e o outro.

Quando queremos muito um amor, ou manter um relacionamento, somos capazes de fazer qualquer coisa?

Nem a vida nem o amor exigem que as pessoas desistam de sua dignidade, autoestima, objetivos de trabalho, bom-senso, sonhos, família ou amigos. Esses são alguns sinais de alerta e uma questão de tempo para detonar a saúde mental, física e emocional.

Acreditamos que nos unir a outra pessoa antes de nos unirmos a nós mesmos não trará consequências. E, se abrirmos mão de quem somos e do que é importante para nós, o outro vai valorizar, reconhecer e seremos felizes, largando para trás partes de nós, partes dos nossos sonhos e valores.

Enquanto o amor não vem, aproveita para aprender a não depender, compreender que amor precisa ser soma, multiplicação, divisão e não perda, subtração.

Renato Russo na música La Nouva Gioventú expressa com clareza a dependência emocional , “Com você por perto eu gostava mais de mim”. Infelizmente o que acontece é que estamos tão inconscientes da relação com nós mesmos que não percebemos que a relação com o outro está relacionada com a relação que temos com nós mesmos – por isso mesmo, um relacionamento patológico, abusivo, espelha uma relação inadequada do indivíduo consigo mesmo.  Nesse sentido, o mandamento de Cristo “amarás o teu próximo como a ti mesmo” se revela uma verdade psicológica válida.

A dependência emocional é um fato grave na maioria dos relacionamentos, o psiquiatra Carl Gustav Jung nos fala sobre a individuação. O processo de individuação é um processo de desenvolvimento que se inicia quando nascemos e se estende até nossa morte. Jung descreve a individuação como “torna-se si mesmo”. Segundo Jung, o processo de individuação nada tem de individualismo, muito pelo contrario, é um processo que estimula o indivíduo criar condições para que cada um desperte o melhor de si e na relação com o outro, a empreender uma convivência mais ampla e coletiva, por estar mais próximo, consciente da sua totalidade, da interdependência, mas mantendo a sua individualidade.

Quanto mais inconsciente ou alienado de si mesmo, mais vulnerável o indivíduo se torna às dinâmicas do inconsciente ou a relações abusivas. A individuação exige conhecimento, autoconhecimento e isso só se adquire vivendo, amando, sofrendo, rompendo crenças, traumas, e voltando a amar.

Em todas as experiências que vivemos, uma parte do quebra-cabeça que somos se revela, remontamos e seguimos em frente para novos desafios, no processo contínuo de crescimento e evolução.

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