Há quanto tempo você entra em casa, mas ainda demora para sair do carro?

Há quanto tempo você entra em casa, mas ainda demora para sair do carro?

Você desliga o motor.
 
O dia terminou.
 
Pelo menos, é o que diz o relógio.
 
Mas, por algum motivo, você continua ali.
 
As mãos ainda repousam sobre o volante.
 
O rádio já está desligado.
 
Do lado de fora, a rotina continua. Pessoas chegam, crianças brincam, portas se abrem e se fecham.
 
Você só precisa atravessar alguns metros até a porta de casa.
 
Mesmo assim, permanece.
 
Quem olha de fora talvez pense que você apenas está respondendo uma mensagem.
 
Mas você sabe que não é isso.
 
Às vezes, aqueles poucos minutos são o único lugar do dia em que ninguém espera nada de você.
 
Não há reunião.
 
Não há filhos chamando.
 
Não há decisões para tomar.
 
Não há ninguém perguntando como foi o seu dia.
 
Existe apenas um pequeno silêncio.
 
E talvez seja justamente nesse silêncio que alguma parte sua tente, há muito tempo, ser ouvida.
 
A vida pode continuar funcionando…
 
É curioso como conseguimos manter a vida funcionando.
 
Cumprimos horários.
 
Resolvemos problemas.
 
Cuidamos das pessoas que amamos.
 
Sorrimos quando necessário.
 
Respondemos que “está tudo bem”.
 
Por fora, tudo parece seguir seu curso.
 
Mas existe uma diferença entre fazer a vida funcionar e sentir que estamos realmente vivendo.
 
Nem sempre o sofrimento chega como um grande acontecimento.
 
Às vezes, ele chega como um afastamento silencioso de nós mesmos.
 
Não acontece de uma vez.
 
Acontece aos poucos.
 
Um dia você percebe que já faz muito tempo desde a última conversa verdadeira consigo mesmo.
 
O corpo costuma perceber antes da mente
 
Muitas pessoas procuram terapia porque acreditam que precisam de respostas.
 
Na experiência da clínica, isso raramente é o que acontece.
 
Com frequência, elas precisam primeiro de um espaço onde possam escutar perguntas que deixaram de fazer.
 
Como:
 
“Quando foi a última vez que eu me senti realmente presente?”
 
“O que venho adiando em mim?”
 
“Em que momento comecei apenas a cumprir a vida?”
 
Não para encontrar respostas rápidas.
 
Mas porque algumas perguntas têm a capacidade de abrir portas que estavam fechadas há anos.
 
Talvez você não precise de mais força.
 
Talvez precise de mais escuta.
 
Existe uma ideia muito difundida de que precisamos ser mais fortes.
 
Mais produtivos.
 
Mais disciplinados.
 
Mais resilientes.
 
Às vezes, porém, o movimento mais importante não é seguir em frente.
 
É parar por alguns instantes e perceber que existe uma parte de você pedindo atenção há muito tempo.
 
Não para interromper a vida.
 
Mas para voltar a habitá-la.
 
Um convite
 
Se, enquanto lia este texto, você se reconheceu em alguma dessas cenas, talvez não seja porque encontrou respostas.
 
Talvez seja porque encontrou palavras para algo que já existia dentro de você.
 
A terapia não entrega uma vida pronta.
 
Ela oferece um espaço seguro para compreender o que está acontecendo, reconhecer padrões, ampliar a consciência e voltar a fazer escolhas mais coerentes com quem você é.
 
Se sentir que este pode ser o seu momento, será um prazer caminhar com você nessa travessia.
 
Às vezes, uma conversa é o primeiro passo.

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